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Quando foi a última vez que sentiu curiosidade?

Antes de começar a ler este artigo, pense se alguma vez:

  • Interrompeu a pessoa com quem estava a falar antes de ela acabar?
  • Ensaiou mentalmente aquilo que ia responder?
  • Ofereceu uma solução imediata à pessoa que tinha à sua frente?

Pois é. Fomos educados para ter resposta na ponta da língua. Sempre nos disseram que tínhamos de saber responder, mas poucas vezes nos motivaram a saber ouvir e compreender. Passamos a vida em modo output – a deitar cá para fora todas as nossas ideias. Mas raras vezes nos dispomos a ouvir. Só a ouvir.

Quantos de nós interrompemos aquele amigo que precisa de um bolo para lhe sugerir um pasteleiro mesmo bom que até tem um bom preço? Já todos fizemos isso e não tem mal nenhum. Mas muitas vezes não nos apercebemos que a necessidade de sermos ouvidos supera a necessidade de ouvir e que isso afeta a nossa capacidade de estar realmente disponível para o outro.

Isto acontece nas nossas relações pessoais, mas também nos nossos escritórios. É preciso que os colaboradores sintam um verdadeiro ambiente de abertura e conforto para partilharem as suas opiniões e aspirações pessoais. Para criar este tipo de ambiente corporativo, temos de desenvolver uma competência que ao longo dos anos fomos deixando esmorecer: a curiosidade.

Quando foi a última vez que sentiu curiosidade?

Os estudos comprovam que aos 4 anos é quando o ser humano é mais curioso. Quando somos crianças olhamos o mundo com especial interesse – queremos mexer em tudo, perceber como é que cada coisa funciona. Hoje, em adultos, a curiosidade permite-nos desenvolver uma comunicação mais próxima e empática. Se tivermos genuíno interesse pela pessoa que temos à nossa frente podemos fazer-lhe perguntas – se, de facto, quisermos perceber a sua perspetiva. E depois devemos analisar o contributo com abertura e curiosidade.

Atreva-se a desligar o modo defensivo e a ligar o modo curioso. Verá que as suas relações, pessoais e profissionais, sairão ainda mais fortalecidas e saudáveis.

E da próxima vez que alguém lhe disser que precisa de um bolo, pergunte-se a si mesmo se aquela pessoa quer mesmo um pasteleiro ou se só quer ser ouvida.

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